segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MONTALVÃO: Poetas da Freguesia (4)


O botão de rosa
Que lindo botão de rosa
Aquela roseira tem
De baixo não se lhe chega
Acima não vai ninguém

No muro de uma vivenda
Está uma jovem sentada
Prazenteira e descuidada
Comendo a sua merenda
Usava saias de renda
A rapariga formosa
Mas era tão graciosa
E por baixo o namorado
Dizia entusiasmado:
Que lindo botão de rosa!

A jovem não reparava
Na testemunha indiscreta
Olhando o prado quieta
Com gosto a broa trincava
Mas o rapaz que olhava
E analisava também
Os encantos do seu bem
E murmurava baixinho:
Olha que tanto espinho
Aquela roseira tem!

Por fim a mocinha linda
O rapaz intruso viu
Mas disfarçou e fingiu
Não o ter topado ainda
A merenda estava linda
Mas ela não se conchega
Entre a posição de pega
Ele diz todo airoso:
Aquele botão formoso
De baixo não se lhe chega!

Ela ouviu isto e com ronha
Sorrindo pouco se ensaia
Ainda mais ergueu a saia
Fingindo não ter vergonha
Numa enrascação medonha
O rapaz cora, porém
Ela o riso não sustém
E olhou para baixo trocista:
Goza meu amor com a vista
Mas acima não vai ninguém!
António José Belo

BOAS FESTAS A TODOS OS MONTALVANENSES

Não sei quem é o autor deste excelente Cartão de Boas Festas que me foi enviado pelo amigo e "artilheiro-quinto", João Carrilho. Peço desculpa ao autor pela sua utilização e através destas bonitas imagens, o blog Montalvão em Linha faz sua a Mensagem de Boas Festas para todas as famílias montalvanenses.
Que em 2013 o sonho continue a comandar a vida!
 Mário Mendes

sábado, 22 de dezembro de 2012

MONTALVÃO: Crónicas Raianas


Pedaços de vida que por cá levamos
Alentejo… Esta terra que me viu nascer, crescer, partir e à qual um dia quero e hei-de voltar.
O dia até tinha corrido bem, foi aí por alturas do Entrudo, três ou quatro dias antes; andávamos a remodelar uma loja ali para os lados do Saldanha/Campo Pequeno, no coração de Lisboa, eram mais ou menos quatro da tarde, o trabalho estava a correr lindamente, estávamos todos satisfeitos, o dia estava bonito, o sol brilhava, só eu não estava nos meus dias e o mais engraçado era que não sabia o porquê do meu mal estar. Nisto, digo para o pessoal:
- Vou-me embora!
- Já? Responderam eles quase em coro, ao mesmo tempo que sorriam; já tinham notado que eu não estava no meu melhor. Se bem pensei, melhor o fiz; arrumei as minhas coisas, despedi-me e… ala que se faz tarde!
Desci a Fontes Pereira de Melo, subi o famoso Túnel do Marquês, passei as Amoreiras, atravessei o Viaduto Duarte Pacheco e comecei a subir para o Parque de Monsanto. Ao chegar ao alto onde se começa a descer e se avista Miraflores, o que vejo eu? O trânsito parado, filas até mais não, até perder de vista… Já estou tramado – penso cá para comigo – Só me faltava esta javardice.
Quinze minutos, meia hora, eu ali parado, e estas filas que não andam nem desandam… Nisto, olho para a minha direita, ali a seis metros estava uma amendoeira em plena flor, era o renascer da vida, era a Primavera que se anunciava, era o equinócio que vinha a caminho. Nela saltitava um casal de chapins azuis, e eu ali parado a apreciar a cena, ouço apitar e olho para o lado.
- Estás a olhar para onde, que não andas, estás na lua ou quê?
A fila tinha começado a andar sem eu me ter apercebido e eu acenei de cá a pedir desculpas. Olhou para mim, sorriu, acenou de lá como quem diz “estás desculpado”… Tinha-me estado a observar e compreendeu que eu embora estivesse ali fisicamente, a mente estava noutro lugar.
Nessa tarde, nesse dia, enquanto o trânsito recomeçava lentamente a andar, o sol ao longe punha-se no horizonte. A emoção tomou conta de mim. Senti e tive mais saudades que nunca do Alentejo, da notável vila de Nisa, da aldeia que me viu nascer, dos lugares que me são queridos, do sabor da água fresca das nascentes, do aroma dos poejos, do cheiro do alecrim e do rosmaninho nas barreiras do Sever, da carqueja na charneca, da giesta branca e amarela em flor, do odor das xaras, do piar do mocho galego ao escurecer, do bramir dos gados ao entardecer pelas azinhagas em redor da aldeia em direcção aos palheiros e currais para passar a noite, da brama dos veados nas noites cálidas de Setembro, do bater do sino na Igreja Matriz, enfim… de mil e uma coisas que fazem com que me sinta bem quando aí vou.
Escusado será dizer que cheguei a casa já noite escura, de nada me valeu ter saído mais cedo. Minha mãe, ao entrar, olha-me e diz-me:
- Vens triste. O trabalho está a correr mal?
Nessa altura já eu sabia o que tinha.
- Vou ali ao café da Isabel e venho já, digo-lhe.
A noite ainda me reservava muitas surpresas.
- Olha que ricas prendas aqui estão e não me diziam nada - digo eu para eles ao entrar.
Eram o João do Cabeção, o Leandro da Póvoa e Meadas e o Rafael de Idanha-a-Nova.
- Aníbal! Estás bom? Ao tempo que a gente não se via… Que cara é essa? Estás doente? – diz-me o João.
Nem lhe respondi, ao mesmo tempo que os cumprimentava e me ia a sentar olhei para a mesa onde estava um prato com batatas fritas e umas cervejas e digo-lhes:
- Esperem aí um bocadinho que eu vou ali a casa buscar um queijo de Nisa.
Ora, era isso que eles queriam ouvir, ficaram logo em pulgas. A noite prometia…
- Eu também vou lá a casa buscar um painho da Beira Baixa que trouxe lá da Idanha, diz o Rafael. A noite estava-se a compor.
Estavam as coisas arranjadas; sentámo-nos, comemos e bebemos com apetite. A certa altura, já com os estômagos aconchegados digo para eles:
- Então? Vamos ao Alentejo aos tortulhos?
- Olha do que tu te foste lembrar… Digam lá a um cego se quer ver…
- Vamos! O que é que levemos para a merenda? Sim, que isto de ir aos cogumelos e não levar uma boa pinga do nosso Alentejo e um bom petisco no farnel não tem graça nenhuma.
A mesa já estava vazia, a Isabel que sabe que se não trata a gente bem batemos as asas e mudamos de poiso, vendo isto diz lá do balcão:
- Vocês querem dobrada?
- Venha ela!! – diz logo o Leandro.
- Já cá está ou vem a caminho? – diz o João.
Falámos das “nossas” terras, das gentes que lá deixámos, dos costumes e tradições, dos comeres. Rimos, bebemos, comemos, brindámos. O tempo passou, quando demos por ela já era meia-noite. Fizemos mais um brinde, despedimo-nos e cada um foi para casa, mais alegre e satisfeito. A noite foi completa, amanhã era dia de trabalho.
Cheguei a casa, pus as coisas no sítio do costume e deitei-me.
Estava quase a adormecer, ouço o cão lá fora no quintal a ladrar e pensei: Anda ali alguém…
Era o meu vizinho do lado a tocar à campainha.
- Aníbal, tens as luzes da camioneta acesas.
- Ora bolas para isto, que mais me irá acontecer hoje?
Lá tive de me levantar. Finalmente deitei-me. Enquanto não adormecia, pensei cá para mim: Isto hoje foi um dia e peras… poças, foi de mais.
Adormeci a pensar que dias melhores e piores virão; temos de ser realistas, acima de tudo há que ter esperança.
Nessa noite sonhei que estava no Alentejo, acordei mais bem disposto pela manhã, pronto mais uma vez para o que der e vier.
Haja saúde, amigos, um dia destes vou aí às origens, às raízes amolecer estas saudades e carregar as baterias que andam a ficar fracalhotas.
Até qualquer dia.
* História baseada em factos passados na vida real, personagens, locais e nomes verdadeiros.
- Aníbal Castelo Augusto in "Jornal de Nisa" - nº 253

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

SALAVESSA: Inauguração do Centro de Apoio Social


No próximo sábado, 22 de dezembro, às 10 horas será inaugurada a sede do Centro de Apoio Social de Salavessa (na freguesia de Montalvão, Nisa) em cerimónia que contará com a presença de eleitos do Município de Nisa e do Bispo da Diocese de Portalegre e Castelo Branco.
 O Centro de Apoio Social de Salavessa é uma IPSS que presta apoio à população envelhecida da aldeia e que se revela fundamental como estrutura de apoio e segurança na sua vivência.
O Centro promoveu obras de remodelação no edifício sede visando melhorar as condições de habitabilidade proporcionadas aos utentes e respeitando as exigências actuais. Para o efeito foi apresentada uma candidatura de apoio financeiro no âmbito Programa de Desenvolvimento Rural-PRODER. A candidatura foi aprovada considerando um investimento elegível total no valor de 61.759,54 €, com comparticipação pública de 75%. O Município de Nisa atribui ao Centro Social de Salavessa um subsídio 20 mil euros que traduz o apoio financeiro da autarquia para a realização das obras, o apoio do município passou igualmente pela elaboração do projeto e pelo acompanhamento pelo acompanhamento técnico da obra. Da parte da Junta de Freguesia de Montalvão houve também um apoio financeiro da ordem dos dois mil euros.
 A Sede do Centro de Apoio Social de Salavessa situa-se na Rua do Sobreirinho. As obras de remodelação tornaram o imóvel acessível a qualquer utente, o que implicou a criação de novas instalações sanitárias e a instalação uma plataforma elevatória que permite o acesso ao piso 1. O edifício foi dotado de condições de segurança contra o risco de incêndio. Como princípio da intervenção, o projeto não contemplou o aumento da volumetria, mantendo a integração do prédio na banda edificada do arruamento. Ao nível do piso térreo foram criadas duas instalações sanitárias (masculino e feminino) acessíveis a pessoas de mobilidade condicionada, uma copa, para preparação dos lanches e uma zona de estar.Com a instalação da plataforma elevatória tornou-se possível o acesso de todos os utentes ao piso superior o que permitiu inclusive aumentar a capacidade do Centro de Apoio Social para os 18 utentes (9 ao nível do piso 0 e 9 no piso 1). A remodelação permitiu a existência de uma zona para apoio administrativo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

MEMÓRIA: O Natal na vila de Montalvão


Logo em Setembro e Outubro já a maioria das crianças andava alvoroçada com a perspectiva das festas do Natal que não demorariam a chegar. Eram os primeiros a lembrar-se dessa quadra festiva. Por isso, era motivo de “superioridade” dizer aos outros que já tinha duas ou três fachas (pequenos molhos de troncos herbáceos secos de cerca de 1 metro de altura, de uma planta a que chamavam “gamão” e que serviriam de tochas na noite do Menino Jesus).
O tempo decorria, as colecções de fachas iam aumentando, aumentando também a vaidade de ter um maior número daqueles molhos; as prendas do Menino Jesus não interessavam por agora. O entusiasmo aumentava sempre até à chegada da Noite Santa.
Na véspera do Dia festivo, e na generalidade, as famílias atarefavam-se nos preparativos da Consoada: as senhoras, em casa, preparavam os ingredientes para os fritos que, à noite, depois da ceia (jantar) iriam acabar, enquanto os homens iam à procura de um tronco para a lareira.
À volta do lume onde já ardia o enorme tronco (que devia continuar aceso até ao Ano Novo) procedia-se ao resto da confecção e fritura das filhós e azevias (por vezes argolas doces) enquanto o pai, a um canto da lareira, lia o jornal e ia provando de tudo um pouco alheando-se da azáfama que existia à sua volta.
Na rua, as crianças davam largas à sua alegria queimando, finalmente, os archotes (fachas) que, com tanto carinho e alvoroço juntaram para iluminarem o Deus Menino. Ao mesmo tempo grupos de rapazes da mesma idade (quintos) passeavam pelas ruas e entravam em casa de alguns deles para comerem os fritos que, normalmente, todas as famílias faziam, excepto as pessoas enlutadas que, por esse motivo, eram presenteadas no dia de Natal por pessoas das suas relações.
Queimados os archotes (fachas) as crianças iam para casa e sentavam-se também à lareira. A certa altura caiam no chão da cozinha rebuçados e vários frutos secos “lançados pelo Deus Menino” que por ali passava. O rebuliço das crianças era grande tentando, cada uma, apanhar o maior número possível daquelas guloseimas. Os mais crescidos segredavam então aos mais novos que não fora o Menino Jesus mas sim o pai que atirava aquelas coisas ao ar.
Ao aproximar-se a meia-noite todos se dirigiam à Igreja para ver o presépio, assistir à Missa do Galo e beijar o Menino. Regressados a casa havia café para todos, filhós e azevias ou ainda carne de porco frita. Na hora de deitar, os pequenos não se esqueciam de pôr o sapatinho perto da chaminé na esperança de que o Menino ali deixasse algum presente. No dia de Natal, manhã cedo, os meninos corriam para a lareira para ver se, no sapatinho, sempre havia alguma lembrança deixada pelo Menino. Depois, chegada a hora, todos se dirigiam para a Igreja e assistiam à Santa Missa.
Na última noite do ano grupos de raparigas lançavam borrifos de água nas portas das casas e, atirando farinha para cima diziam: “Bons Anos vos dê Deus!”. Do interior das casas alguém respondia: “Obrigado!”.
Dia de Ano Novo, à saída da Santa Missa, mulheres com açafates cheios de filhós ofereciam-nas a quem quisesse cumprindo, assim, alguma sacra promessa.
Estas descrições reportam-se aos anos 30/40 do séc. XX vividas nestes termos pelo narrador.
Évora, Dezembro de 2010
Anselmo de Matos Lopes in "Brados do Alentejo"

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

MONTALVÃO: Festa da Senhora dos Remédios (2009)





Montalvão voltou a reviver os dias de festa e a juntar muitos dos seus filhos espalhados pelo país. As festas populares iniciaram-se no dia 4, sexta-feira, não faltando a música, os espectáculos taurinos, como é da tradição em terras raianas e tiveram o seu ponto mais alto e solene na terça-feira, dia 8, consagrado à romaria da Senhora dos Remédios.
Sob um sol abrasador foram muitas as pessoas que ocorreram à capelinha situada a 3 quilómetros de Montalvão. Juntaram-se debaixo das escassas sombras proporcionadas pelos eucaliptos, conversaram, petiscaram e beberam, animando o vasto recinto em redor da capela.
Muitos vieram do concelho de Cascais e de outros concelhos da grande Lisboa, onde estão radicados há muitos anos. Fazem da romaria um ponto de encontro com a terra-mãe, a visita aos familiares e um momento de recolhimento para agradecerem à Senhora, os “remédios” recebidos.
É assim todos os anos, faça chuva ou faça sol.
Cá fora, um imponente veado oferecido à Comissão Paroquial era revolvido no assador, enquanto numa barraquinha próxima duas mulheres, mãe e filha, vendiam recordações da festa. Portas chaves, camisolas, livros, gravuras e bolos oferecidos pelas montalvanenses, as deliciosas cavacas e não menos saborosas broas de mel, feitas exclusivamente para serem ofertadas à Comissão Paroquial com o fito da obtenção de fundos.
A romaria e a manutenção da capela têm os seus custos e são estas dádivas, estes “produtos” que ajudam a manter a tradição.
Espalhados pelo recinto e aguardando a chamada, viam-se crianças e jovens da banda União Artística de Castelo de Vide que vieram propositadamente para animar a festa e acompanhar a procissão.
O senhor padre José da Costa presidiu às celebrações religiosas. A missa, na qual participaram muitas dezenas de fiéis, teve lugar no exterior da capela, sob uma estrutura colocada para minimizar os efeitos dos raios solares.
Após a celebração da missa, realizou-se a procissão em redor da capela. Um momento de especial significado para homens, mulheres, jovens e crianças que se deslocaram até à Senhora dos Remédios. Ao ritmo compassado da banda de Castelo de Vide, os romeiros acompanharam, em silêncio e devoção, o andor com a imagem religiosa venerada em Montalvão.
Depois, foi o anúncio da despedida, a promessa de voltarem no próximo ano.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 12.9.2009

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Concerto de Natal encerrou comemorações dos 500 anos do Foral







A Igreja Matriz de Montalvão recebeu no passado sábado, o concerto "Clássicos de Natal" pela Orquestra Típica Albicastrense dirigida pelo maestro Carlos Salvado. A iniciativa encerrou o programa das Comemorações dos 500 Anos do Foral Manuelino de Montalvão.
Com a igreja repleta de gente, a Orquestra Típica Albicastrense, pouco habituada a este cenário, deliciou os presentes com um magnífico concerto, preenchido com temas populares do Natal da Beira Baixa e de Elvas, sendo a sua actuação premiada, no final, com calorosos aplausos por parte da numerosa assistência.
À saída foi servido um “Porto de Honra” oferecido pela Comissão Organizadora das Comemorações dos 500 Anos do Foral, formada pelas associações Vamos à Vila (Montalvão),  SalavessaViva (Salavessa) que contaram com o apoio da Junta de Freguesia de Montalvão, Câmara Municipal de Nisa e Associação de Desenvolvimento de Nisa.
As comemorações dos 500 anos do Foral de Montalvão encerraram no domingo, dia 9,, com uma missa na  Salavessa, presidida pelo bispo da Diocese de Portalegre e Castelo Branco, D. Antonino Dias.
in "Alto Alentejo" - 12/12/2012 -Fotos de Jorge Nunes

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

SALAVESSA: No extremo norte do Alentejo







"Será pequenina e feia", escreveu o Ti Zé do Santo numa das suas poesias populares, referindo-se à sua aldeia natal: Salavessa.
Pequenina, sim, mas feia, nunca. A aldeia, de ruas castiças como a da Bélgica, Jogo da Bola, Sobreirinho, do Santo, Oliveirinha e outras, é um dos lugares mais airosos e bonitos do extremo norte do Alentejo. Como bem o mostram estas extraordinárias fotos de Catarina Henriques e que fomos "descobrir" em www.olhares.com
Fotos de tamanha beleza e que servem aqui para lembrar dois amigos que partiram: António Louro Carrilho e o Ti Zé do Santo.
Salavessa
Salavessa é minha aldeia
Na margem esquerda do Tejo
Será pequenina e feia
Mas a cidade não invejo

Se eu fosse rico, abastado
Esqueceria a minha aldeia
Sou pobre e mal roupado
A cidade para mim é feia

Salavessa está esquecida!...
Aqui não há regalias,
Não tem rossio nem avenidas
E mal se ouvem telefonias

Salavessa pequenina
És um berço de embalar!
Nasceste numa colina,
De rouxinóis a cantar.

Quero-lhe bem, mesmo feia,
É o meu berço natal.
Viva a minha querida aldeia
E viva o nosso Portugal!

José António Vitorino - “ Ti Zé do Santo”

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

MONTALVÃO: Inauguração da Casa do Forno


É hoje, dia 9 de Setembro, inaugurada em Montalvão, a Casa do Forno, na sequência de uma intervenção de recuperação promovida pela Câmara Municipal de Nisa nas instalações de um antigo forno comunitário.
Em 1997, surgiu a possibilidade de aquisição do imóvel onde durante décadas funcionou o Forno Comunitário de Montalvão. A aquisição concretizou-se em 1999 por deliberação da Câmara Municipal. Foi considerado que o imóvel era um exemplo de arquitectura popular que deveria ser reabilitado e devolvido à comunidade local.
As instalações têm potencialidades que deverão ser reaproveitados em termos museológicos utilizando peças de artesanato local produzido pelas gentes de Montalvão, onde se destacam as peças feitas em madeira, cortiça, ferro e vários bordados. Na implementação do projecto conta-se com o envolvimento da população. O espaço será igualmente destinado a pequenas exposições temporárias.
Para além deste aspecto, considera-se que a Casa do Forno deve manter a sua função prática: cozer o pão, os bolos os borregos, etc, em alturas festivas, recuperando-se assim a imagem e a memória do espaço.
A Junta de Freguesia de Montalvão desde a primeira hora mostrou-se disponível em cooperar, e deverá continuar a promover o imóvel junto da população e dos possíveis turistas.
Em termos da obra, a intervenção foi da inteira responsabilidade dos “mestres-de-obras” da Câmara Municipal. Houve recurso aos conhecimentos adquiridos nas reabilitações de imóveis. Procurou-se uma Intervenção cuidada e tecnicamente correcta, com bom senso e equilíbrio nas escolhas. A investigação das fontes documentais e orais sobre a envolvência do sítio procurou preservar o seu valor patrimonial.
Com pequenos gestos se defendem grandes causas. A intervenção levada a cabo no Forno Comunitário de Montalvão é exemplo disso mesmo.
Blog do "Jornal de Nisa" - 9/9/07

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Montalvão no Cortejo de Oferendas (1960)


Em 1960, quando foi preciso mobilizar o concelho e proceder à recolha de fundos para fazer face às despesas do novo Hospital, Montalvão, tal como as restantes freguesias do concelho, disse: Presente!
O povo, as instituições, as pequenas empresas, os proprietários agrícolas, num gesto solidário de grande valor e significado, organizaram-se, vestiram o trajes dos "grandes dias" e vieram até Nisa desfilar, participar nessa grande jornada colectiva em favor de um objectivo de todos: o funcionamento do nosso Hospital, na altura uma das unidades modelares na prestação de cuidados de saúde. Veio o Rancho da Casa do Povo de Montalvão que desfilou, acntou e dançou, com garbo e graciosidade; vieram as carroças engalanadas, o povo, e lá estava a placa a indicar a contribuição da freguesia: 87 mil escudos, uma pequena fortuna para a época. Isto, sem contar, com animais e géneros alimentares de diversa origem.
No próximo sábado, dia 21, no Cortejo Etnográfico, Montalvão vai voltar a marcar presença. Não tem, já, o Rancho Folclórico da Casa do Povo, muitos dos seus filhos partiram para uma viagem sem regresso e outros demandaram as Lisboas e as Franças de todas as esperanças.
A terra e a freguesia despovoaram-se, mas, os que ficaram, mantém, ainda, a mesma força colectiva e a vontade de dizer: estamos aqui!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Poetas da freguesia (3)


A SIDA
Vive-se muito preocupado

Com a doença da SIDA
Por esta já ter tirado
A muitas centenas, a vida


Há razão para temer
Doença tão perigosa
Apesar de não cancerosa
Seres humanos faz sofrer
E muitos já fez morrer
Aquele mal tão malvado
Que traz o doente desanimado
E a viver com amargura
Mas como aquilo não tem cura
Vive-se muito preocupado


Não podemos desanimar
Nem perder a esperança
Se a malvada doença
Um dia se vai curar
Portanto, vamos esperar
Fazendo a nossa vida
Não pensando na despedida
Para não desanimar
E muito menos preocupar
Com a doença da SIDA



Vamos encarar com paciência
Aquela doença malina
Confiar na medicina
E na sua competência
Porque a sua experiência
Doentes tem conformado
E muitos a tem curado
Ao longo da nossa vida
Não queira pensar na Sida
Só por que a vida tem tirado.



Dizem que a sua evolução
Foi o acto sexual
Portanto se receia o mal
Àquele preste atenção
E não aproveite a ocasião
Da mulher desconhecida
Procure evitar a Sida
E tenha muito cuidado
Porque ela já tem tirado
A muitas centenas, a vida.
J. Tremoceiro - Poeta Popular 

sábado, 24 de novembro de 2012

MONTALVÃO-CEDILLO: Mais um êxito da "Rota do Contrabando"




A INIJOVEM organizou no passado sábado, dia 20, a “XI Rota do Contrabando”, um percurso pedestre transfronteiriço em travessia, entre as localidades de Montalvão (Portugal) e Cedillo (Espanha), com passagem pelo rio Sever.
Dois países. Duas regiões. Dois rios que tanto separam quanto unem. A memória colectiva de tempos passados, tempos de fome e miséria, de sustos e tiros. Onde há raia há contrabando. E há histórias de contrabandistas. Histórias contadas pelas pessoas que, no escuro da noite, seguiam por caminhos traçados e imaginados em direcção à raia.
Foram mais de três centenas de caminheiros que se juntaram, bem cedo, em Montalvão junto ao castelo para ouvirem as explicações dos membros da organização sobre as dificuldades e os procedimentos a cumprir durante o passeio, dando-se início à caminhada pelas 9 horas.
Os caminheiros percorreram depois o trajecto em terras portuguesas até ao rio Sever e através de barcos atravessaram o rio.
Seguiu-se o percurso mais difícil, a subir, pelos íngremes caminhos da margem direita do Sever, entre uma paisagem luxuriante e admirável tendo o rio como pano de fundo.
O verde, o branco e o amarelo da vegetação em tempo primaveril, onde sobressaem as estevas e as giestas ajudavam a enfrentar as dificuldades desta parte do percurso e foi em verdadeiro clima de festa e convívio que os caminheiros chegaram a Cedillo onde tinham a aguardá-los o ribombar dos bombos do Grupo de Nisa, as concertinas e a música dos Domingos & Dias Santos que, mesmo sendo sábado não quiseram faltar a esta festa da cooperação transfronteiriça.
Após 15 quilómetros percorridos, as mais de três centenas de caminheiros e viajeiros, vindos um pouco de todo o país e de vários lugares de Espanha, chegavam ao destino e esperava-os o retemperador almoço.
De tarde, o convívio continuou. Houve festa, baile popular, as habituais fotos da ordem e um olhar, muitos olhares para trás, revivendo os momentos mais emocionantes da Rota do Contrabando.
Uma “Rota do Contrabando” que teve direito, justamente, a reportagem televisiva, a explicações de ex-contrabandista e até a uma encenação histórica levada a efeito pelos alunos do Curso de Animação Sócio-Cultural da Etaproni e que em separado damos conta.
Em suma, mais um êxito de uma iniciativa que tem pés e caminheiros para andar.

Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 25/3/2010

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Estradas de Montalvão precisam de mais atenção

 Estrada Nisa-Montalvão (Ex EN359)

Estrada para a Barragem de Cedillo (Com ligação à Senhora dos Remédios)
 
Rima e é verdade. As estradas que conduzem a Montalvão e daqui à Barragem de Cedillo estão a precisar, urgentemente, de sinalização.
A primeira, entre Nisa e Montalvão, a antiga EN 359, desclassificada e entregue há uns anos pela JAE á Câmara de Nisa recebeu na altura algumas melhorias, a nível de asfaltamento, ficando por corrigir o traçado nas curvas mais perigosas.
As condições de circulação rodoviária naquela estrada, entretanto, pioraram, devido à ausência de sinalização no asfalto, nomeadamente as linhas divisórias da via e de demarcação das bermas, o que torna a condução, principalmente de noite, algo perigosa.
É também necessário, proceder ao reforço da sinalização vertical nalguns locais e aquilo que deveria ter sido feito já há alguns anos, ou seja, a rectificação do traçado de algumas curvas que além de perigosas na sua configuração, continuam sem a sinalização adequada.
A estrada para Cedillo, embora mais recente, sofre dos mesmos males. Ali, a sinalização praticamente não existe e a demarcação das vias, no asfalto, está por fazer, constituindo um risco acrescido para os condutores.
Apela-se, a quem de direito que tome em mãos a resolução destes problemas que afligem os condutores que utilizam com frequência estas vias de comunicação rodoviária e são um claro sinal de desleixo e desinteresse para quem nos visita.
Mário Mendes

domingo, 9 de setembro de 2012

SALAVESSA: “Chocalhada” e Inauguração de Espaço Polivalente

No próximo dia 3 de Abril a aldeia de Salavessa vai recordar a tradicional "Chocalhada" reatada após alguns anos de inactividade, à qual se junta a inauguração de Espaço Polivalente, no edifício da antiga escola primária.
No próximo dia 3 de Abril, Sábado de Aleluia, com inicio pelas 10.30 horas a aldeia de Salavessa irá, mais uma vez, relembrar a tradicional "Chocalhada", em que participa a população local e pessoas vindas de outras paragens. Por entre o tilintar dos chocalhos que cada pessoa faz questão de transportar, são percorridas as ruas da localidade, num cortejo centenário em que todos sabem e ninguém conhece a sua origem, o povo movimenta-se em grande alarido empunhando o chocalho e tocando-o que faz deste evento uma perfeita manifestação da união da comunidade.
Depois de alguns anos em que a iniciativa perdeu o carácter regular, a Associação SalavessaViva, constituída na sua maioria por jovens residentes ou com raízes em Salavessa, retomaram esta tradição de carácter popular, levando a que a comunidade se envolva de forma activa numa das manifestações mais típicas daquela aldeia.
Associada a esta iniciativa a Câmara Municipal de Nisa irá pelas 12 horas proceder à inauguração do Espaço Polivalente nas instalações da Antiga Escola de Salavessa, a qual depois das obras de remodelação de que foi alvo constituirá um espaço adequado para a realização de eventos da comunidade local.
FOI NOTÍCIA em 1/4/2010

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

EM entre Montalvão e o S. Silvestre finalmente vai ser arranjada

Estão a decorrer obras de requalificação da rede viária do concelho de Nisa que contemplam a pavimentação betuminosa de estradas e caminhos municipais.
Nestas obras são objecto de beneficiação as seguintes vias:
- Caminho Municipal 1176 que faz a ligação de Arês ao cruzamento com o cruzamento de Tolosa;
- Caminho Municipal 1005 que faz a ligação de Pé da Serra à Casa de Cantoneiros de Montalvão;
- "Estrada do Patalou" que faz a ligação de Nisa ao concelho de Castelo de Vide;
- Estrada Municipal 525, ligação de Montalvão ao concelho de Castelo de Vide.
Na reunião de 20 de Janeiro a Câmara Municipal aprovou o Plano de Trabalhos e o Cronograma Financeiro apresentados pela firma adjudicatária - Construções JJR&Filhos, S.A. O valor global da empreitada é de 709.106, 49 euros e o prazo de execução é de 150 dias.
NR: A notícia é de 23/5/2011. Demorou tempo, demasiado tempo, mas a estrada lá foi arranjada...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

MEMÓRIA: Evocação de António Louro Carrilho nos 20 anos da sua morte


Já era tempo do home(m) / Já era tempo também / De dar pão a quem tem fome /Trabalho a quem o não tem. (1)
Domingo, 11 de Janeiro de 1992. Évora, cidade, acordara com um manto frio de neblina a inundar-lhe os poros. Em Nisa, no extremo norte do Alentejo, decorria a 1ª Feira do Mel.
É aqui, na plena agitação de um dia de feira que a notícia surge, a um tempo, seca, brutal e inesperada: morreu o António Louro Carrilho!
Um trágico acidente de viação roubara, em segundos, a vida de um jovem professor universitário, culto, determinado, irreverente, nascido em Salavessa (Nisa).
Lembro-me como se fosse ontem do impacto que a notícia causou, a tristeza e a comoção, a revolta e indignação por uma despedida da vida tão precoce como injusta.
O António Louro Carrilho não era uma pessoa qualquer. Aos 37 anos, percorrera, já, um longo e penoso caminho, cheio de obstáculos que ele ia torneando com a simplicidade e o voluntarismo, a mestria e a determinação de quem sabia que a felicidade tinha que ser conquistada.
De origem simples, rural, cedo compreendeu o esforço dos pais, emigrantes, para lhe darem uma vida melhor. Estudou no liceu em Castelo Branco, onde a sua presença, não passou despercebida, antes pelo contrário. Soube granjear amigos sem nunca se despojar das suas convicções. Na década de 70, em pleno período revolucionário, torna-se na voz e imagem das reivindicações estudantis na cidade albicastrense. As suas vindas à aldeia natal e a Nisa são sempre pretexto para intermináveis discussões sobre os "caminhos da Revolução". Adepto da "Revolução Cultural" chinesa e das ideias maoístas, António Carrilho, de longas barbas e cabelo revolto é a imagem inacabada do Che, com um poder de argumentação sempre vivo e acutilante. Não desprezava, antes estimulava, uma boa discussão, quando os interlocutores se lhe mostravam à altura.
A pretensa dureza e rigidez do seu discurso, escondiam o homem e futuro universitário que através do estudo da filosofia e da pedagogia iria debruçar-se como lema de vida, nas questões centrais da liberdade, da razão e da existência.
O revolucionário dogmático deu lugar ao militante do espírito, da compreensão do mundo, do humanismo, numa abordagem multidisciplinar e plural que nunca abandonou.
Frequenta a Universidade de Coimbra onde conclui a licenciatura em Filosofia (1979) e mais tarde (1988) o Mestrado com uma tese "Filosofia e pedagogia no pensamento de Delfim Santos" que obteve a classificação de Muito Bom. A Universidade de Évora acolhe-o como professor assistente e desde logo o seu espírito trabalhador e metódico é notado, tendo iniciado uma carreira académica plena de sucesso.
O seu talento de investigador é premiado como bolseiro da Gulbenkian tendo efectuado diversos trabalhos de investigação na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica).
Dessa estadia em Louvaina, Mário Mesquita oferece-nos, num breve relato, alguns aspectos da personalidade de António Louro carrilho, seu companheiro de investigação.
"O que me surpreendia no António era a forma exemplar como conjugava a disciplina no trabalho académico com as outras mil e uma questões a que dedicava atenção e interesse: desde o desporto (jogou futebol na terceira divisão) à apicultura… Era bem curiosa a forma ágil como mudava do registo exigente da reflexão inerente ao seu trabalho universitário para o não menos exigente discurso acerca das pequenas questões do quotidiano … ".
António Louro Carrilho não esgota as suas preocupações unicamente no trabalho universitário. A filosofia e o fenómeno da comunicação levam-no a publicar livros sobre Antero, Régio, Delfim Santos e Sartre e a produzir diversos artigos tanto em revistas da especialidade como a "Vértice" ou a "Economia e Sociologia", como em jornais, desde "O Giraldo" ao "Ecos do Sor" e à revista cultural de Portalegre "A Cidade".
Na área da Pedagogia publica "A formação de professores na Universidade de Évora" na Revista Portuguesa de Pedagogia e "Quem tem medo da Filosofia no ensino secundário" n´O Jornal da Educação – Suplemento do Jornal de Letras.
António Louro Carrilho preparava o doutoramento com um trabalho de investigação sobre "Filosofia, Comunicação e Pedagogia – Por uma Pedagogia de Relação Interlocutiva".
Muito apegado à sua aldeia, Salavessa, António Carrilho dedicava-se à apicultura, pretexto para as constantes visitas que fazia ao concelho de Nisa e na quais aproveitava não só para os trabalhos com as abelhas e as colmeias, mas para se embrenhar e participar como cidadão activo e empenhado nos problemas da sua terra.
Do seu esforço persistente e recolha sobre a obra do poeta popular José António Vitorino – o Ti Zé do Santo - nasceu o livro "Terra Pousia", e nele escreveu António Carrilho, no prefácio:
"A cultura popular é a mais simples, a mais pura, a mais verdadeira, porque nasce de uma relação espontânea do homem com a natureza, a vida e a sociedade. Não está contaminada pelas vontades dos barões da crítica, não é forjada segundo o estilo das bigornas dos catedráticos, não se passeia pelos salões das academias".
E remata, como falando de si próprio: "Faz-se com a mesma humildade, empenho e vigor com que o homem agarrado à rabiça do arado, rasga a terra pousia para nela lançar as sementes geradoras do pão de cada dia".
António Louro Carrilho era um homem frontal e solidário, um professor que prestigiou com o seu trabalho, a Universidade. Um cidadão comprometido com os problemas da sua terra, da sua região e do seu país. O concelho de Nisa perdeu, há vinte anos, um filho e um professor de mérito, cuja memória aqui evocamos e que vai perdurar pelos tempos fora.
(1) – Vitorino, José António – in "Terra Pousia" - 1996

António Louro Carrilho – A Obra
Filosofia
1 – "Sartre – a liberdade e o indivíduo como imperativos éticos" – Ecos do Sor – 12/5/1980
2 – "Coordenadas filosóficas no pensamento de José Régio" – A Cidade – Outubro de 1984
3 – "Antero do Quental e o Socialismo – Subsídios para a compreensão do seu pensamento político" – Edição de Autor – Évora, 1985
4 – "A técnica sob a alçada da teoria crítica em Jurgen Habermas" – Economia e Sociologia – Évora – nº 41 – 1986
5 – "O problema da liberdade na filosofia de Sartre" – Economia e Sociologia – Évora nº 47 – 1989
6 – "Delfim Santos e a filosofia portuguesa" – Vértice – Lisboa, II Série nº 12 – 1989
7 –" Je zappe donc je suis ou a televisão na afirmação do eu pela via do telecomando" – Vértice, Lisboa, II Série, nº 47 – 1992
Educação
8 – "A formação de professores na Universidade de Évora" – Revista Portuguesa de Pedagogia – Coimbra, 1984
9 - "A formação de professores na Universidade de Évora" – Informação Interna – U. Évora – 15 Fevereiro 1985
10 – "O estudo epistemológico da pedagogia em Delfim Santos" – revista Portuguesa de Pedagogia – Coimbra, 1988.
11 –" Quem tem medo da filosofia no ensino secundário?" (1) – "O Giraldo" – Évora – 9/3/1988
12 –" Quem tem medo da filosofia no ensino secundário?" (2) – "O Giraldo" – Évora – 24/3/1988
13 –" Quem tem medo da filosofia no ensino secundário?" (1) – O Jornal da Educação – Supl. Nº 2 ao JL - Jornal de Letras – 26 de Março a 4 de Abril de 1988
Mário Mendes in  Á Flor da Pele - "Alto Alentejo" - 18/1/2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

MONTALVÃO: Postais da Freguesia

Têm em comum, o facto de terem nascido na freguesia de Montalvão e servido as tropas páraquedistas. Reuniram-se no sábado, em Nisa, num Encontro que juntou mais de quatro dezenas de ex-paraquedistas de todo o concelho e nós registamos a foto destes "boinas verdes" montalvanenses.

MONTALVÃO: 500 anos do Foral

2012 é ano de comemorações dos 500 anos dos Forais de Nisa e de Montalvão. No caso de Montalvão, o processo de comemorações a realizar no próximo ano foi já iniciado através de duas associações daquela freguesia que marcaram para sábado, dia 25, sessões de esclarecimento, procurando envolver a população nas celebrações de tão importante acontecimento.
Assim, por iniciativa da Associação Salavessa Viva realiza-se uma sessão pelas 15 horas, no edifício da ex-Escola Primária em Salavessa.
Mais tarde, pelas 17,30 h na antiga Escola de Montalvão, organizada pela Associação Vamos à Vila terá lugar nova reunião, tendo por objectivo elucidar a população sobre a importância do documento, assinado em 1512 pelo rei D. Manuel I.
Ambas as sessões (em Salavessa e Montalvão) serão conduzidas por Carla Sequeira do Museu do Bordado e do Barro de Nisa.
A Carta de Foral de Montalvão foi concedida pelo rei D. Manuel I em 22 de Novembro de 1512, reconhecendo, assim, a importância desta vila.
"Portal de Nisa" - 25/6/2011

sábado, 18 de agosto de 2012

OPINIÃO: "Lembras-te do Zé da Silva?"

Foi com esta pergunta que um amigo me abordou, há dias.
O Zé da Silva? Claro que me lembrava do Zé da Silva.
A memória recuou, dez, vinte, trinta anos e lá estávamos nós em Montalvão, na Salavessa, em Nisa, em todas as terras do concelho e outras do distrito, nos tempos de utopia e criação revolucionária, que se seguiram ao 25 de Abril.
O José da Silva Costa no auge da irreverência dos seus 18 anos, cabeleira loura, espessa e longa, "à beatle", queria, tal como todos nós, "mudar o mundo", fazer a revolução socialista, expressa em palavras de ordem como " a terra a quem a trabalha" e tantas outras.
A dureza do trabalho nos campos e a magreza dos salários do trabalhador rural, a emigração para França, a guerra colonial, era a realidade de uma terra, a sua, onde se ouviam histórias intermináveis, sobre a odisseia do contrabando, os relatos dramáticos da guerra civil espanhola, com o ribombar dos canhões, a ouvirem-se, ali bem perto, do outro lado do Sever, a perseguição e o exílio dos republicanos, dos "rojos", muitos deles acolhidos nas povoações da raia.
Não foi, por isso, difícil, antes, natural, ao Zé da Silva, fazer a sua opção política, ainda bastante jovem e no tempo de todas as ideias e inquietações.
Um tractor, um coreto, escada ou pequena elevação onde pudesse sobressair a "voz dos oradores" tudo servia para, nesses tempos de febril agitação, falar às pessoas e tentar passar-lhes a mensagem política e incutir-lhes a ideia de participação na "coisa pública".
Sem estudos por aí além, mas já imbuído do gosto e do prazer pela leitura, o Zé da Silva, surpreendia-nos, amiúde, pelas tiradas filosóficas e pelo arrojo da argumentação, ainda que, o seu espírito militante, fosse orientado noutras direcções.
De um momento para outro, deixei de ver o Zé da Silva. Como muitos jovens deste concelho e país, não esperou para ver o futuro acontecer. Partiu, foi à procura dele. Soube que estivera nos EUA, que de quando em vez vinha a Montalvão, mas há muitos, muitos anos, que o não via.
Até que… Lembraste do Zé da Silva? Claro que lembrava. Ali estava ele, trinta anos depois, à minha frente, primeiro, na plateia dos "opositores" (o único, por sinal) ao titular da cadeira do concurso da RTP "Um contra todos".
Era ele, sem dúvida. O mesmo ar sereno, as ideias amadurecidas, a dialéctica sempre actuante e as respostas a surgirem, certeiras e precisas.
Era fácil adivinhar – conhecendo o Zé da Silva -, onde aquilo iria terminar. Vinte e seis perguntas, sem um trunfo ou uma falha, sequer. Algumas, de domínios do saber que, especialistas, provavelmente, não acertariam. Mas, o Zé da Silva, serena e desconcertantemente, assim como que a dizer que não estava ali, ia falando do seu Alentejo, das suas vivências e das suas raízes, perante a admiração, quase embevecida, do José Carlos Malato.
Foi, pois, sem surpresa, que se sentou na cadeira de concorrente e de onde, com a mesma calma e descontracção, "viajou" até à memória dos seus pais e avós, às histórias que ouvira sobre a "Raia dos Medos", e daí, com desassombro, elogiou os trabalhos para a televisão de Moita Flores, numa crítica, directa e implícita à própria RTP.
O Zé da Silva venceu o concurso. Não me perguntem, quantos mil euros, levou para casa.
Por mim, fiquei feliz, por revisitá-lo, mesmo através da televisão. Não tanto pelo dinheiro que ganhou, mas, apenas, por saber que, trinta anos depois, aquele "bichinho" que se introduziu em nós e chamado utopia, continua bem vivo.
E que, ali, perante uma imensa plateia, que é o "país televisivo", o Zé da Silva mais não fez do que ser igual a si próprio: um cidadão do mundo e alentejano da raia, do Sever, já sem fantasmas nem medos e, hoje, um traço de união.
João da Cruz - Jornal de Nisa nº 222 - Jan.2007

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

MEMÓRIA - Assalto à Ermida da Senhora dos Remédios

É mais um assalto e roubo de arte sacra perpetrado contra o património concelhio.
A ermida de Nossa Senhora dos Remédios, a quatro quilómetros de Montalvão foi assaltada e dela os larápios levaram duas imagens de arte sacra, as imagens de São Caetano e de São Simão, ambas de apreciável valor, não apenas monetário, mas, sobretudo, afectivo e patrimonial.
Para conseguirem os seus intentos, os meliantes introduziram-se no edifício religioso tendo para o efeito arrombado uma porta lateral. Depois, no interior, danificaram mais uma porta até conseguirem chegar às imagens que acabaram por furtar, actuando com grande à vontade.
O assalto à ermida e o roubo das imagens apenas foi conhecido no passado dia 1 de Outubro quando alguns elementos da Irmandade da Senhora dos Remédios se deslocaram ao local para procederem a arrumações e limpeza da capela, após a romaria anual ali realizada no passado dia 8 de Setembro, como demos conta em reportagem no "Jornal de Nisa".
Perante a surpresa e a revolta, os elementos da Irmandade resolveram levar para lugar seguro, as restantes imagens e outros objectos de valor, temendo que a ermida pudesse, de novo, ser "visitada" pelos amigos do alheio.
O assalto foi comunicado à GNR que se deslocou ao local, bem como à Polícia Judiciária que esteve no terreno para recolher indícios de prova que possa levar à identificação e captura dos assaltantes.
Os membros da irmandade da Senhora dos Remédios não escondem a sua decepção, tristeza e indignação perante o acontecido, tanto mais que se haviam empenhado para dar o maior brilho e solenidade às cerimónias religiosas e romaria realizada no dia 8 de Setembro e que levaram muitas centenas de montalvanenses e outros visitantes ao recinto da capela.
Para além do furto das imagens, uma perda de grande valor, os danos e prejuízos são de alguma monta, dado que uma das portas danificadas terá de ser reposta de raiz.
Mário Mendes - in "Jornal de Nisa" - nº 264 - 8 Out. 08

terça-feira, 14 de agosto de 2012

POSTAIS DE MONTALVÃO: A colónia balnear (1)

Crianças de Nisa e Montalvão na Colónia Balnear Infantil de "O Século" - 1959 - 1960
 As instalações em S. Pedro do Estoril, junto à Marginal, sustentadas durante anos pelo jornal "O Século" acolheram milhares de crianças de todo o país durante as férias de Verão. Era a primeira (e única) oportunidade das crianças do interior do país (da "província", como diziam os lisboetas) terem acesso à praia, constituindo o "baptismo", por vezes forçado, de contacto com o mar e de uns dias diferentes que ficaram para sempre gravados na memória.
(Foto cedida pelo Carlos Matos, a quem agradecemos)