quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

SALAVESSA: Inauguração do Centro de Apoio Social


No próximo sábado, 22 de dezembro, às 10 horas será inaugurada a sede do Centro de Apoio Social de Salavessa (na freguesia de Montalvão, Nisa) em cerimónia que contará com a presença de eleitos do Município de Nisa e do Bispo da Diocese de Portalegre e Castelo Branco.
 O Centro de Apoio Social de Salavessa é uma IPSS que presta apoio à população envelhecida da aldeia e que se revela fundamental como estrutura de apoio e segurança na sua vivência.
O Centro promoveu obras de remodelação no edifício sede visando melhorar as condições de habitabilidade proporcionadas aos utentes e respeitando as exigências actuais. Para o efeito foi apresentada uma candidatura de apoio financeiro no âmbito Programa de Desenvolvimento Rural-PRODER. A candidatura foi aprovada considerando um investimento elegível total no valor de 61.759,54 €, com comparticipação pública de 75%. O Município de Nisa atribui ao Centro Social de Salavessa um subsídio 20 mil euros que traduz o apoio financeiro da autarquia para a realização das obras, o apoio do município passou igualmente pela elaboração do projeto e pelo acompanhamento pelo acompanhamento técnico da obra. Da parte da Junta de Freguesia de Montalvão houve também um apoio financeiro da ordem dos dois mil euros.
 A Sede do Centro de Apoio Social de Salavessa situa-se na Rua do Sobreirinho. As obras de remodelação tornaram o imóvel acessível a qualquer utente, o que implicou a criação de novas instalações sanitárias e a instalação uma plataforma elevatória que permite o acesso ao piso 1. O edifício foi dotado de condições de segurança contra o risco de incêndio. Como princípio da intervenção, o projeto não contemplou o aumento da volumetria, mantendo a integração do prédio na banda edificada do arruamento. Ao nível do piso térreo foram criadas duas instalações sanitárias (masculino e feminino) acessíveis a pessoas de mobilidade condicionada, uma copa, para preparação dos lanches e uma zona de estar.Com a instalação da plataforma elevatória tornou-se possível o acesso de todos os utentes ao piso superior o que permitiu inclusive aumentar a capacidade do Centro de Apoio Social para os 18 utentes (9 ao nível do piso 0 e 9 no piso 1). A remodelação permitiu a existência de uma zona para apoio administrativo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

MEMÓRIA: O Natal na vila de Montalvão


Logo em Setembro e Outubro já a maioria das crianças andava alvoroçada com a perspectiva das festas do Natal que não demorariam a chegar. Eram os primeiros a lembrar-se dessa quadra festiva. Por isso, era motivo de “superioridade” dizer aos outros que já tinha duas ou três fachas (pequenos molhos de troncos herbáceos secos de cerca de 1 metro de altura, de uma planta a que chamavam “gamão” e que serviriam de tochas na noite do Menino Jesus).
O tempo decorria, as colecções de fachas iam aumentando, aumentando também a vaidade de ter um maior número daqueles molhos; as prendas do Menino Jesus não interessavam por agora. O entusiasmo aumentava sempre até à chegada da Noite Santa.
Na véspera do Dia festivo, e na generalidade, as famílias atarefavam-se nos preparativos da Consoada: as senhoras, em casa, preparavam os ingredientes para os fritos que, à noite, depois da ceia (jantar) iriam acabar, enquanto os homens iam à procura de um tronco para a lareira.
À volta do lume onde já ardia o enorme tronco (que devia continuar aceso até ao Ano Novo) procedia-se ao resto da confecção e fritura das filhós e azevias (por vezes argolas doces) enquanto o pai, a um canto da lareira, lia o jornal e ia provando de tudo um pouco alheando-se da azáfama que existia à sua volta.
Na rua, as crianças davam largas à sua alegria queimando, finalmente, os archotes (fachas) que, com tanto carinho e alvoroço juntaram para iluminarem o Deus Menino. Ao mesmo tempo grupos de rapazes da mesma idade (quintos) passeavam pelas ruas e entravam em casa de alguns deles para comerem os fritos que, normalmente, todas as famílias faziam, excepto as pessoas enlutadas que, por esse motivo, eram presenteadas no dia de Natal por pessoas das suas relações.
Queimados os archotes (fachas) as crianças iam para casa e sentavam-se também à lareira. A certa altura caiam no chão da cozinha rebuçados e vários frutos secos “lançados pelo Deus Menino” que por ali passava. O rebuliço das crianças era grande tentando, cada uma, apanhar o maior número possível daquelas guloseimas. Os mais crescidos segredavam então aos mais novos que não fora o Menino Jesus mas sim o pai que atirava aquelas coisas ao ar.
Ao aproximar-se a meia-noite todos se dirigiam à Igreja para ver o presépio, assistir à Missa do Galo e beijar o Menino. Regressados a casa havia café para todos, filhós e azevias ou ainda carne de porco frita. Na hora de deitar, os pequenos não se esqueciam de pôr o sapatinho perto da chaminé na esperança de que o Menino ali deixasse algum presente. No dia de Natal, manhã cedo, os meninos corriam para a lareira para ver se, no sapatinho, sempre havia alguma lembrança deixada pelo Menino. Depois, chegada a hora, todos se dirigiam para a Igreja e assistiam à Santa Missa.
Na última noite do ano grupos de raparigas lançavam borrifos de água nas portas das casas e, atirando farinha para cima diziam: “Bons Anos vos dê Deus!”. Do interior das casas alguém respondia: “Obrigado!”.
Dia de Ano Novo, à saída da Santa Missa, mulheres com açafates cheios de filhós ofereciam-nas a quem quisesse cumprindo, assim, alguma sacra promessa.
Estas descrições reportam-se aos anos 30/40 do séc. XX vividas nestes termos pelo narrador.
Évora, Dezembro de 2010
Anselmo de Matos Lopes in "Brados do Alentejo"

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

MONTALVÃO: Festa da Senhora dos Remédios (2009)





Montalvão voltou a reviver os dias de festa e a juntar muitos dos seus filhos espalhados pelo país. As festas populares iniciaram-se no dia 4, sexta-feira, não faltando a música, os espectáculos taurinos, como é da tradição em terras raianas e tiveram o seu ponto mais alto e solene na terça-feira, dia 8, consagrado à romaria da Senhora dos Remédios.
Sob um sol abrasador foram muitas as pessoas que ocorreram à capelinha situada a 3 quilómetros de Montalvão. Juntaram-se debaixo das escassas sombras proporcionadas pelos eucaliptos, conversaram, petiscaram e beberam, animando o vasto recinto em redor da capela.
Muitos vieram do concelho de Cascais e de outros concelhos da grande Lisboa, onde estão radicados há muitos anos. Fazem da romaria um ponto de encontro com a terra-mãe, a visita aos familiares e um momento de recolhimento para agradecerem à Senhora, os “remédios” recebidos.
É assim todos os anos, faça chuva ou faça sol.
Cá fora, um imponente veado oferecido à Comissão Paroquial era revolvido no assador, enquanto numa barraquinha próxima duas mulheres, mãe e filha, vendiam recordações da festa. Portas chaves, camisolas, livros, gravuras e bolos oferecidos pelas montalvanenses, as deliciosas cavacas e não menos saborosas broas de mel, feitas exclusivamente para serem ofertadas à Comissão Paroquial com o fito da obtenção de fundos.
A romaria e a manutenção da capela têm os seus custos e são estas dádivas, estes “produtos” que ajudam a manter a tradição.
Espalhados pelo recinto e aguardando a chamada, viam-se crianças e jovens da banda União Artística de Castelo de Vide que vieram propositadamente para animar a festa e acompanhar a procissão.
O senhor padre José da Costa presidiu às celebrações religiosas. A missa, na qual participaram muitas dezenas de fiéis, teve lugar no exterior da capela, sob uma estrutura colocada para minimizar os efeitos dos raios solares.
Após a celebração da missa, realizou-se a procissão em redor da capela. Um momento de especial significado para homens, mulheres, jovens e crianças que se deslocaram até à Senhora dos Remédios. Ao ritmo compassado da banda de Castelo de Vide, os romeiros acompanharam, em silêncio e devoção, o andor com a imagem religiosa venerada em Montalvão.
Depois, foi o anúncio da despedida, a promessa de voltarem no próximo ano.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 12.9.2009

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Concerto de Natal encerrou comemorações dos 500 anos do Foral







A Igreja Matriz de Montalvão recebeu no passado sábado, o concerto "Clássicos de Natal" pela Orquestra Típica Albicastrense dirigida pelo maestro Carlos Salvado. A iniciativa encerrou o programa das Comemorações dos 500 Anos do Foral Manuelino de Montalvão.
Com a igreja repleta de gente, a Orquestra Típica Albicastrense, pouco habituada a este cenário, deliciou os presentes com um magnífico concerto, preenchido com temas populares do Natal da Beira Baixa e de Elvas, sendo a sua actuação premiada, no final, com calorosos aplausos por parte da numerosa assistência.
À saída foi servido um “Porto de Honra” oferecido pela Comissão Organizadora das Comemorações dos 500 Anos do Foral, formada pelas associações Vamos à Vila (Montalvão),  SalavessaViva (Salavessa) que contaram com o apoio da Junta de Freguesia de Montalvão, Câmara Municipal de Nisa e Associação de Desenvolvimento de Nisa.
As comemorações dos 500 anos do Foral de Montalvão encerraram no domingo, dia 9,, com uma missa na  Salavessa, presidida pelo bispo da Diocese de Portalegre e Castelo Branco, D. Antonino Dias.
in "Alto Alentejo" - 12/12/2012 -Fotos de Jorge Nunes

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

MONTALVÃO: Inauguração da Casa do Forno


É hoje, dia 9 de Setembro, inaugurada em Montalvão, a Casa do Forno, na sequência de uma intervenção de recuperação promovida pela Câmara Municipal de Nisa nas instalações de um antigo forno comunitário.
Em 1997, surgiu a possibilidade de aquisição do imóvel onde durante décadas funcionou o Forno Comunitário de Montalvão. A aquisição concretizou-se em 1999 por deliberação da Câmara Municipal. Foi considerado que o imóvel era um exemplo de arquitectura popular que deveria ser reabilitado e devolvido à comunidade local.
As instalações têm potencialidades que deverão ser reaproveitados em termos museológicos utilizando peças de artesanato local produzido pelas gentes de Montalvão, onde se destacam as peças feitas em madeira, cortiça, ferro e vários bordados. Na implementação do projecto conta-se com o envolvimento da população. O espaço será igualmente destinado a pequenas exposições temporárias.
Para além deste aspecto, considera-se que a Casa do Forno deve manter a sua função prática: cozer o pão, os bolos os borregos, etc, em alturas festivas, recuperando-se assim a imagem e a memória do espaço.
A Junta de Freguesia de Montalvão desde a primeira hora mostrou-se disponível em cooperar, e deverá continuar a promover o imóvel junto da população e dos possíveis turistas.
Em termos da obra, a intervenção foi da inteira responsabilidade dos “mestres-de-obras” da Câmara Municipal. Houve recurso aos conhecimentos adquiridos nas reabilitações de imóveis. Procurou-se uma Intervenção cuidada e tecnicamente correcta, com bom senso e equilíbrio nas escolhas. A investigação das fontes documentais e orais sobre a envolvência do sítio procurou preservar o seu valor patrimonial.
Com pequenos gestos se defendem grandes causas. A intervenção levada a cabo no Forno Comunitário de Montalvão é exemplo disso mesmo.
Blog do "Jornal de Nisa" - 9/9/07

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Montalvão no Cortejo de Oferendas (1960)


Em 1960, quando foi preciso mobilizar o concelho e proceder à recolha de fundos para fazer face às despesas do novo Hospital, Montalvão, tal como as restantes freguesias do concelho, disse: Presente!
O povo, as instituições, as pequenas empresas, os proprietários agrícolas, num gesto solidário de grande valor e significado, organizaram-se, vestiram o trajes dos "grandes dias" e vieram até Nisa desfilar, participar nessa grande jornada colectiva em favor de um objectivo de todos: o funcionamento do nosso Hospital, na altura uma das unidades modelares na prestação de cuidados de saúde. Veio o Rancho da Casa do Povo de Montalvão que desfilou, acntou e dançou, com garbo e graciosidade; vieram as carroças engalanadas, o povo, e lá estava a placa a indicar a contribuição da freguesia: 87 mil escudos, uma pequena fortuna para a época. Isto, sem contar, com animais e géneros alimentares de diversa origem.
No próximo sábado, dia 21, no Cortejo Etnográfico, Montalvão vai voltar a marcar presença. Não tem, já, o Rancho Folclórico da Casa do Povo, muitos dos seus filhos partiram para uma viagem sem regresso e outros demandaram as Lisboas e as Franças de todas as esperanças.
A terra e a freguesia despovoaram-se, mas, os que ficaram, mantém, ainda, a mesma força colectiva e a vontade de dizer: estamos aqui!

domingo, 9 de setembro de 2012

SALAVESSA: “Chocalhada” e Inauguração de Espaço Polivalente

No próximo dia 3 de Abril a aldeia de Salavessa vai recordar a tradicional "Chocalhada" reatada após alguns anos de inactividade, à qual se junta a inauguração de Espaço Polivalente, no edifício da antiga escola primária.
No próximo dia 3 de Abril, Sábado de Aleluia, com inicio pelas 10.30 horas a aldeia de Salavessa irá, mais uma vez, relembrar a tradicional "Chocalhada", em que participa a população local e pessoas vindas de outras paragens. Por entre o tilintar dos chocalhos que cada pessoa faz questão de transportar, são percorridas as ruas da localidade, num cortejo centenário em que todos sabem e ninguém conhece a sua origem, o povo movimenta-se em grande alarido empunhando o chocalho e tocando-o que faz deste evento uma perfeita manifestação da união da comunidade.
Depois de alguns anos em que a iniciativa perdeu o carácter regular, a Associação SalavessaViva, constituída na sua maioria por jovens residentes ou com raízes em Salavessa, retomaram esta tradição de carácter popular, levando a que a comunidade se envolva de forma activa numa das manifestações mais típicas daquela aldeia.
Associada a esta iniciativa a Câmara Municipal de Nisa irá pelas 12 horas proceder à inauguração do Espaço Polivalente nas instalações da Antiga Escola de Salavessa, a qual depois das obras de remodelação de que foi alvo constituirá um espaço adequado para a realização de eventos da comunidade local.
FOI NOTÍCIA em 1/4/2010

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

EM entre Montalvão e o S. Silvestre finalmente vai ser arranjada

Estão a decorrer obras de requalificação da rede viária do concelho de Nisa que contemplam a pavimentação betuminosa de estradas e caminhos municipais.
Nestas obras são objecto de beneficiação as seguintes vias:
- Caminho Municipal 1176 que faz a ligação de Arês ao cruzamento com o cruzamento de Tolosa;
- Caminho Municipal 1005 que faz a ligação de Pé da Serra à Casa de Cantoneiros de Montalvão;
- "Estrada do Patalou" que faz a ligação de Nisa ao concelho de Castelo de Vide;
- Estrada Municipal 525, ligação de Montalvão ao concelho de Castelo de Vide.
Na reunião de 20 de Janeiro a Câmara Municipal aprovou o Plano de Trabalhos e o Cronograma Financeiro apresentados pela firma adjudicatária - Construções JJR&Filhos, S.A. O valor global da empreitada é de 709.106, 49 euros e o prazo de execução é de 150 dias.
NR: A notícia é de 23/5/2011. Demorou tempo, demasiado tempo, mas a estrada lá foi arranjada...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

MEMÓRIA: Evocação de António Louro Carrilho nos 20 anos da sua morte


Já era tempo do home(m) / Já era tempo também / De dar pão a quem tem fome /Trabalho a quem o não tem. (1)
Domingo, 11 de Janeiro de 1992. Évora, cidade, acordara com um manto frio de neblina a inundar-lhe os poros. Em Nisa, no extremo norte do Alentejo, decorria a 1ª Feira do Mel.
É aqui, na plena agitação de um dia de feira que a notícia surge, a um tempo, seca, brutal e inesperada: morreu o António Louro Carrilho!
Um trágico acidente de viação roubara, em segundos, a vida de um jovem professor universitário, culto, determinado, irreverente, nascido em Salavessa (Nisa).
Lembro-me como se fosse ontem do impacto que a notícia causou, a tristeza e a comoção, a revolta e indignação por uma despedida da vida tão precoce como injusta.
O António Louro Carrilho não era uma pessoa qualquer. Aos 37 anos, percorrera, já, um longo e penoso caminho, cheio de obstáculos que ele ia torneando com a simplicidade e o voluntarismo, a mestria e a determinação de quem sabia que a felicidade tinha que ser conquistada.
De origem simples, rural, cedo compreendeu o esforço dos pais, emigrantes, para lhe darem uma vida melhor. Estudou no liceu em Castelo Branco, onde a sua presença, não passou despercebida, antes pelo contrário. Soube granjear amigos sem nunca se despojar das suas convicções. Na década de 70, em pleno período revolucionário, torna-se na voz e imagem das reivindicações estudantis na cidade albicastrense. As suas vindas à aldeia natal e a Nisa são sempre pretexto para intermináveis discussões sobre os "caminhos da Revolução". Adepto da "Revolução Cultural" chinesa e das ideias maoístas, António Carrilho, de longas barbas e cabelo revolto é a imagem inacabada do Che, com um poder de argumentação sempre vivo e acutilante. Não desprezava, antes estimulava, uma boa discussão, quando os interlocutores se lhe mostravam à altura.
A pretensa dureza e rigidez do seu discurso, escondiam o homem e futuro universitário que através do estudo da filosofia e da pedagogia iria debruçar-se como lema de vida, nas questões centrais da liberdade, da razão e da existência.
O revolucionário dogmático deu lugar ao militante do espírito, da compreensão do mundo, do humanismo, numa abordagem multidisciplinar e plural que nunca abandonou.
Frequenta a Universidade de Coimbra onde conclui a licenciatura em Filosofia (1979) e mais tarde (1988) o Mestrado com uma tese "Filosofia e pedagogia no pensamento de Delfim Santos" que obteve a classificação de Muito Bom. A Universidade de Évora acolhe-o como professor assistente e desde logo o seu espírito trabalhador e metódico é notado, tendo iniciado uma carreira académica plena de sucesso.
O seu talento de investigador é premiado como bolseiro da Gulbenkian tendo efectuado diversos trabalhos de investigação na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica).
Dessa estadia em Louvaina, Mário Mesquita oferece-nos, num breve relato, alguns aspectos da personalidade de António Louro carrilho, seu companheiro de investigação.
"O que me surpreendia no António era a forma exemplar como conjugava a disciplina no trabalho académico com as outras mil e uma questões a que dedicava atenção e interesse: desde o desporto (jogou futebol na terceira divisão) à apicultura… Era bem curiosa a forma ágil como mudava do registo exigente da reflexão inerente ao seu trabalho universitário para o não menos exigente discurso acerca das pequenas questões do quotidiano … ".
António Louro Carrilho não esgota as suas preocupações unicamente no trabalho universitário. A filosofia e o fenómeno da comunicação levam-no a publicar livros sobre Antero, Régio, Delfim Santos e Sartre e a produzir diversos artigos tanto em revistas da especialidade como a "Vértice" ou a "Economia e Sociologia", como em jornais, desde "O Giraldo" ao "Ecos do Sor" e à revista cultural de Portalegre "A Cidade".
Na área da Pedagogia publica "A formação de professores na Universidade de Évora" na Revista Portuguesa de Pedagogia e "Quem tem medo da Filosofia no ensino secundário" n´O Jornal da Educação – Suplemento do Jornal de Letras.
António Louro Carrilho preparava o doutoramento com um trabalho de investigação sobre "Filosofia, Comunicação e Pedagogia – Por uma Pedagogia de Relação Interlocutiva".
Muito apegado à sua aldeia, Salavessa, António Carrilho dedicava-se à apicultura, pretexto para as constantes visitas que fazia ao concelho de Nisa e na quais aproveitava não só para os trabalhos com as abelhas e as colmeias, mas para se embrenhar e participar como cidadão activo e empenhado nos problemas da sua terra.
Do seu esforço persistente e recolha sobre a obra do poeta popular José António Vitorino – o Ti Zé do Santo - nasceu o livro "Terra Pousia", e nele escreveu António Carrilho, no prefácio:
"A cultura popular é a mais simples, a mais pura, a mais verdadeira, porque nasce de uma relação espontânea do homem com a natureza, a vida e a sociedade. Não está contaminada pelas vontades dos barões da crítica, não é forjada segundo o estilo das bigornas dos catedráticos, não se passeia pelos salões das academias".
E remata, como falando de si próprio: "Faz-se com a mesma humildade, empenho e vigor com que o homem agarrado à rabiça do arado, rasga a terra pousia para nela lançar as sementes geradoras do pão de cada dia".
António Louro Carrilho era um homem frontal e solidário, um professor que prestigiou com o seu trabalho, a Universidade. Um cidadão comprometido com os problemas da sua terra, da sua região e do seu país. O concelho de Nisa perdeu, há vinte anos, um filho e um professor de mérito, cuja memória aqui evocamos e que vai perdurar pelos tempos fora.
(1) – Vitorino, José António – in "Terra Pousia" - 1996

António Louro Carrilho – A Obra
Filosofia
1 – "Sartre – a liberdade e o indivíduo como imperativos éticos" – Ecos do Sor – 12/5/1980
2 – "Coordenadas filosóficas no pensamento de José Régio" – A Cidade – Outubro de 1984
3 – "Antero do Quental e o Socialismo – Subsídios para a compreensão do seu pensamento político" – Edição de Autor – Évora, 1985
4 – "A técnica sob a alçada da teoria crítica em Jurgen Habermas" – Economia e Sociologia – Évora – nº 41 – 1986
5 – "O problema da liberdade na filosofia de Sartre" – Economia e Sociologia – Évora nº 47 – 1989
6 – "Delfim Santos e a filosofia portuguesa" – Vértice – Lisboa, II Série nº 12 – 1989
7 –" Je zappe donc je suis ou a televisão na afirmação do eu pela via do telecomando" – Vértice, Lisboa, II Série, nº 47 – 1992
Educação
8 – "A formação de professores na Universidade de Évora" – Revista Portuguesa de Pedagogia – Coimbra, 1984
9 - "A formação de professores na Universidade de Évora" – Informação Interna – U. Évora – 15 Fevereiro 1985
10 – "O estudo epistemológico da pedagogia em Delfim Santos" – revista Portuguesa de Pedagogia – Coimbra, 1988.
11 –" Quem tem medo da filosofia no ensino secundário?" (1) – "O Giraldo" – Évora – 9/3/1988
12 –" Quem tem medo da filosofia no ensino secundário?" (2) – "O Giraldo" – Évora – 24/3/1988
13 –" Quem tem medo da filosofia no ensino secundário?" (1) – O Jornal da Educação – Supl. Nº 2 ao JL - Jornal de Letras – 26 de Março a 4 de Abril de 1988
Mário Mendes in  Á Flor da Pele - "Alto Alentejo" - 18/1/2012

terça-feira, 21 de agosto de 2012

MONTALVÃO: 500 anos do Foral

2012 é ano de comemorações dos 500 anos dos Forais de Nisa e de Montalvão. No caso de Montalvão, o processo de comemorações a realizar no próximo ano foi já iniciado através de duas associações daquela freguesia que marcaram para sábado, dia 25, sessões de esclarecimento, procurando envolver a população nas celebrações de tão importante acontecimento.
Assim, por iniciativa da Associação Salavessa Viva realiza-se uma sessão pelas 15 horas, no edifício da ex-Escola Primária em Salavessa.
Mais tarde, pelas 17,30 h na antiga Escola de Montalvão, organizada pela Associação Vamos à Vila terá lugar nova reunião, tendo por objectivo elucidar a população sobre a importância do documento, assinado em 1512 pelo rei D. Manuel I.
Ambas as sessões (em Salavessa e Montalvão) serão conduzidas por Carla Sequeira do Museu do Bordado e do Barro de Nisa.
A Carta de Foral de Montalvão foi concedida pelo rei D. Manuel I em 22 de Novembro de 1512, reconhecendo, assim, a importância desta vila.
"Portal de Nisa" - 25/6/2011

sábado, 18 de agosto de 2012

OPINIÃO: "Lembras-te do Zé da Silva?"

Foi com esta pergunta que um amigo me abordou, há dias.
O Zé da Silva? Claro que me lembrava do Zé da Silva.
A memória recuou, dez, vinte, trinta anos e lá estávamos nós em Montalvão, na Salavessa, em Nisa, em todas as terras do concelho e outras do distrito, nos tempos de utopia e criação revolucionária, que se seguiram ao 25 de Abril.
O José da Silva Costa no auge da irreverência dos seus 18 anos, cabeleira loura, espessa e longa, "à beatle", queria, tal como todos nós, "mudar o mundo", fazer a revolução socialista, expressa em palavras de ordem como " a terra a quem a trabalha" e tantas outras.
A dureza do trabalho nos campos e a magreza dos salários do trabalhador rural, a emigração para França, a guerra colonial, era a realidade de uma terra, a sua, onde se ouviam histórias intermináveis, sobre a odisseia do contrabando, os relatos dramáticos da guerra civil espanhola, com o ribombar dos canhões, a ouvirem-se, ali bem perto, do outro lado do Sever, a perseguição e o exílio dos republicanos, dos "rojos", muitos deles acolhidos nas povoações da raia.
Não foi, por isso, difícil, antes, natural, ao Zé da Silva, fazer a sua opção política, ainda bastante jovem e no tempo de todas as ideias e inquietações.
Um tractor, um coreto, escada ou pequena elevação onde pudesse sobressair a "voz dos oradores" tudo servia para, nesses tempos de febril agitação, falar às pessoas e tentar passar-lhes a mensagem política e incutir-lhes a ideia de participação na "coisa pública".
Sem estudos por aí além, mas já imbuído do gosto e do prazer pela leitura, o Zé da Silva, surpreendia-nos, amiúde, pelas tiradas filosóficas e pelo arrojo da argumentação, ainda que, o seu espírito militante, fosse orientado noutras direcções.
De um momento para outro, deixei de ver o Zé da Silva. Como muitos jovens deste concelho e país, não esperou para ver o futuro acontecer. Partiu, foi à procura dele. Soube que estivera nos EUA, que de quando em vez vinha a Montalvão, mas há muitos, muitos anos, que o não via.
Até que… Lembraste do Zé da Silva? Claro que lembrava. Ali estava ele, trinta anos depois, à minha frente, primeiro, na plateia dos "opositores" (o único, por sinal) ao titular da cadeira do concurso da RTP "Um contra todos".
Era ele, sem dúvida. O mesmo ar sereno, as ideias amadurecidas, a dialéctica sempre actuante e as respostas a surgirem, certeiras e precisas.
Era fácil adivinhar – conhecendo o Zé da Silva -, onde aquilo iria terminar. Vinte e seis perguntas, sem um trunfo ou uma falha, sequer. Algumas, de domínios do saber que, especialistas, provavelmente, não acertariam. Mas, o Zé da Silva, serena e desconcertantemente, assim como que a dizer que não estava ali, ia falando do seu Alentejo, das suas vivências e das suas raízes, perante a admiração, quase embevecida, do José Carlos Malato.
Foi, pois, sem surpresa, que se sentou na cadeira de concorrente e de onde, com a mesma calma e descontracção, "viajou" até à memória dos seus pais e avós, às histórias que ouvira sobre a "Raia dos Medos", e daí, com desassombro, elogiou os trabalhos para a televisão de Moita Flores, numa crítica, directa e implícita à própria RTP.
O Zé da Silva venceu o concurso. Não me perguntem, quantos mil euros, levou para casa.
Por mim, fiquei feliz, por revisitá-lo, mesmo através da televisão. Não tanto pelo dinheiro que ganhou, mas, apenas, por saber que, trinta anos depois, aquele "bichinho" que se introduziu em nós e chamado utopia, continua bem vivo.
E que, ali, perante uma imensa plateia, que é o "país televisivo", o Zé da Silva mais não fez do que ser igual a si próprio: um cidadão do mundo e alentejano da raia, do Sever, já sem fantasmas nem medos e, hoje, um traço de união.
João da Cruz - Jornal de Nisa nº 222 - Jan.2007

domingo, 12 de agosto de 2012

MONTALVÃO viveu a Festa da Senhora dos Remédios




Montalvão voltou a reviver os dias de festa e a juntar muitos dos seus filhos espalhados pelo país. As festas populares iniciaram-se no dia 4, sexta-feira, não faltando a música, os espectáculos taurinos, como é da tradição em terras raianas e tiveram o seu ponto mais alto e solene na terça-feira, dia 8, consagrado à romaria da Senhora dos Remédios.
Sob um sol abrasador foram muitas as pessoas que ocorreram à capelinha situada a 3 quilómetros de Montalvão. Juntaram-se debaixo das escassas sombras proporcionadas pelos eucaliptos, conversaram, petiscaram e beberam, animando o vasto recinto em redor da capela.
Muitos vieram do concelho de Cascais e de outros concelhos da grande Lisboa, onde estão radicados há muitos anos. Fazem da romaria um ponto de encontro com a terra-mãe, a visita aos familiares e um momento de recolhimento para agradecerem à Senhora, os "remédios" recebidos.
É assim todos os anos, faça chuva ou faça sol.
Cá fora, um imponente veado oferecido à Comissão Paroquial era revolvido no assador, enquanto numa barraquinha próxima duas mulheres, mãe e filha, vendiam recordações da festa. Portas chaves, camisolas, livros, gravuras e bolos oferecidos pelas montalvanenses, as deliciosas cavacas e não menos saborosas broas de mel, feitas exclusivamente para serem ofertadas à Comissão Paroquial com o fito da obtenção de fundos.
A romaria e a manutenção da capela têm os seus custos e são estas dádivas, estes "produtos" que ajudam a manter a tradição.
Espalhados pelo recinto e aguardando a chamada, viam-se crianças e jovens da banda União Artística de Castelo de Vide que vieram propositadamente para animar a festa e acompanhar a procissão.
O senhor padre José da Costa presidiu às celebrações religiosas. A missa, na qual participaram muitas dezenas de fiéis, teve lugar no exterior da capela, sob uma estrutura colocada para minimizar os efeitos dos raios solares.
Após a celebração da missa, realizou-se a procissão em redor da capela. Um momento de especial significado para homens, mulheres, jovens e crianças que se deslocaram até à Senhora dos Remédios. Ao ritmo compassado da banda de Castelo de Vide, os romeiros
acompanharam, em silêncio e devoção, o andor com a imagem religiosa venerada em Montalvão.
Depois, foi o anúncio da despedida, a promessa de voltarem no próximo ano.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre"  - 12/9/2009