segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MONTALVÃO: Poetas da Freguesia (4)


O botão de rosa
Que lindo botão de rosa
Aquela roseira tem
De baixo não se lhe chega
Acima não vai ninguém

No muro de uma vivenda
Está uma jovem sentada
Prazenteira e descuidada
Comendo a sua merenda
Usava saias de renda
A rapariga formosa
Mas era tão graciosa
E por baixo o namorado
Dizia entusiasmado:
Que lindo botão de rosa!

A jovem não reparava
Na testemunha indiscreta
Olhando o prado quieta
Com gosto a broa trincava
Mas o rapaz que olhava
E analisava também
Os encantos do seu bem
E murmurava baixinho:
Olha que tanto espinho
Aquela roseira tem!

Por fim a mocinha linda
O rapaz intruso viu
Mas disfarçou e fingiu
Não o ter topado ainda
A merenda estava linda
Mas ela não se conchega
Entre a posição de pega
Ele diz todo airoso:
Aquele botão formoso
De baixo não se lhe chega!

Ela ouviu isto e com ronha
Sorrindo pouco se ensaia
Ainda mais ergueu a saia
Fingindo não ter vergonha
Numa enrascação medonha
O rapaz cora, porém
Ela o riso não sustém
E olhou para baixo trocista:
Goza meu amor com a vista
Mas acima não vai ninguém!
António José Belo

BOAS FESTAS A TODOS OS MONTALVANENSES

Não sei quem é o autor deste excelente Cartão de Boas Festas que me foi enviado pelo amigo e "artilheiro-quinto", João Carrilho. Peço desculpa ao autor pela sua utilização e através destas bonitas imagens, o blog Montalvão em Linha faz sua a Mensagem de Boas Festas para todas as famílias montalvanenses.
Que em 2013 o sonho continue a comandar a vida!
 Mário Mendes

sábado, 22 de dezembro de 2012

MONTALVÃO: Crónicas Raianas


Pedaços de vida que por cá levamos
Alentejo… Esta terra que me viu nascer, crescer, partir e à qual um dia quero e hei-de voltar.
O dia até tinha corrido bem, foi aí por alturas do Entrudo, três ou quatro dias antes; andávamos a remodelar uma loja ali para os lados do Saldanha/Campo Pequeno, no coração de Lisboa, eram mais ou menos quatro da tarde, o trabalho estava a correr lindamente, estávamos todos satisfeitos, o dia estava bonito, o sol brilhava, só eu não estava nos meus dias e o mais engraçado era que não sabia o porquê do meu mal estar. Nisto, digo para o pessoal:
- Vou-me embora!
- Já? Responderam eles quase em coro, ao mesmo tempo que sorriam; já tinham notado que eu não estava no meu melhor. Se bem pensei, melhor o fiz; arrumei as minhas coisas, despedi-me e… ala que se faz tarde!
Desci a Fontes Pereira de Melo, subi o famoso Túnel do Marquês, passei as Amoreiras, atravessei o Viaduto Duarte Pacheco e comecei a subir para o Parque de Monsanto. Ao chegar ao alto onde se começa a descer e se avista Miraflores, o que vejo eu? O trânsito parado, filas até mais não, até perder de vista… Já estou tramado – penso cá para comigo – Só me faltava esta javardice.
Quinze minutos, meia hora, eu ali parado, e estas filas que não andam nem desandam… Nisto, olho para a minha direita, ali a seis metros estava uma amendoeira em plena flor, era o renascer da vida, era a Primavera que se anunciava, era o equinócio que vinha a caminho. Nela saltitava um casal de chapins azuis, e eu ali parado a apreciar a cena, ouço apitar e olho para o lado.
- Estás a olhar para onde, que não andas, estás na lua ou quê?
A fila tinha começado a andar sem eu me ter apercebido e eu acenei de cá a pedir desculpas. Olhou para mim, sorriu, acenou de lá como quem diz “estás desculpado”… Tinha-me estado a observar e compreendeu que eu embora estivesse ali fisicamente, a mente estava noutro lugar.
Nessa tarde, nesse dia, enquanto o trânsito recomeçava lentamente a andar, o sol ao longe punha-se no horizonte. A emoção tomou conta de mim. Senti e tive mais saudades que nunca do Alentejo, da notável vila de Nisa, da aldeia que me viu nascer, dos lugares que me são queridos, do sabor da água fresca das nascentes, do aroma dos poejos, do cheiro do alecrim e do rosmaninho nas barreiras do Sever, da carqueja na charneca, da giesta branca e amarela em flor, do odor das xaras, do piar do mocho galego ao escurecer, do bramir dos gados ao entardecer pelas azinhagas em redor da aldeia em direcção aos palheiros e currais para passar a noite, da brama dos veados nas noites cálidas de Setembro, do bater do sino na Igreja Matriz, enfim… de mil e uma coisas que fazem com que me sinta bem quando aí vou.
Escusado será dizer que cheguei a casa já noite escura, de nada me valeu ter saído mais cedo. Minha mãe, ao entrar, olha-me e diz-me:
- Vens triste. O trabalho está a correr mal?
Nessa altura já eu sabia o que tinha.
- Vou ali ao café da Isabel e venho já, digo-lhe.
A noite ainda me reservava muitas surpresas.
- Olha que ricas prendas aqui estão e não me diziam nada - digo eu para eles ao entrar.
Eram o João do Cabeção, o Leandro da Póvoa e Meadas e o Rafael de Idanha-a-Nova.
- Aníbal! Estás bom? Ao tempo que a gente não se via… Que cara é essa? Estás doente? – diz-me o João.
Nem lhe respondi, ao mesmo tempo que os cumprimentava e me ia a sentar olhei para a mesa onde estava um prato com batatas fritas e umas cervejas e digo-lhes:
- Esperem aí um bocadinho que eu vou ali a casa buscar um queijo de Nisa.
Ora, era isso que eles queriam ouvir, ficaram logo em pulgas. A noite prometia…
- Eu também vou lá a casa buscar um painho da Beira Baixa que trouxe lá da Idanha, diz o Rafael. A noite estava-se a compor.
Estavam as coisas arranjadas; sentámo-nos, comemos e bebemos com apetite. A certa altura, já com os estômagos aconchegados digo para eles:
- Então? Vamos ao Alentejo aos tortulhos?
- Olha do que tu te foste lembrar… Digam lá a um cego se quer ver…
- Vamos! O que é que levemos para a merenda? Sim, que isto de ir aos cogumelos e não levar uma boa pinga do nosso Alentejo e um bom petisco no farnel não tem graça nenhuma.
A mesa já estava vazia, a Isabel que sabe que se não trata a gente bem batemos as asas e mudamos de poiso, vendo isto diz lá do balcão:
- Vocês querem dobrada?
- Venha ela!! – diz logo o Leandro.
- Já cá está ou vem a caminho? – diz o João.
Falámos das “nossas” terras, das gentes que lá deixámos, dos costumes e tradições, dos comeres. Rimos, bebemos, comemos, brindámos. O tempo passou, quando demos por ela já era meia-noite. Fizemos mais um brinde, despedimo-nos e cada um foi para casa, mais alegre e satisfeito. A noite foi completa, amanhã era dia de trabalho.
Cheguei a casa, pus as coisas no sítio do costume e deitei-me.
Estava quase a adormecer, ouço o cão lá fora no quintal a ladrar e pensei: Anda ali alguém…
Era o meu vizinho do lado a tocar à campainha.
- Aníbal, tens as luzes da camioneta acesas.
- Ora bolas para isto, que mais me irá acontecer hoje?
Lá tive de me levantar. Finalmente deitei-me. Enquanto não adormecia, pensei cá para mim: Isto hoje foi um dia e peras… poças, foi de mais.
Adormeci a pensar que dias melhores e piores virão; temos de ser realistas, acima de tudo há que ter esperança.
Nessa noite sonhei que estava no Alentejo, acordei mais bem disposto pela manhã, pronto mais uma vez para o que der e vier.
Haja saúde, amigos, um dia destes vou aí às origens, às raízes amolecer estas saudades e carregar as baterias que andam a ficar fracalhotas.
Até qualquer dia.
* História baseada em factos passados na vida real, personagens, locais e nomes verdadeiros.
- Aníbal Castelo Augusto in "Jornal de Nisa" - nº 253

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

SALAVESSA: Inauguração do Centro de Apoio Social


No próximo sábado, 22 de dezembro, às 10 horas será inaugurada a sede do Centro de Apoio Social de Salavessa (na freguesia de Montalvão, Nisa) em cerimónia que contará com a presença de eleitos do Município de Nisa e do Bispo da Diocese de Portalegre e Castelo Branco.
 O Centro de Apoio Social de Salavessa é uma IPSS que presta apoio à população envelhecida da aldeia e que se revela fundamental como estrutura de apoio e segurança na sua vivência.
O Centro promoveu obras de remodelação no edifício sede visando melhorar as condições de habitabilidade proporcionadas aos utentes e respeitando as exigências actuais. Para o efeito foi apresentada uma candidatura de apoio financeiro no âmbito Programa de Desenvolvimento Rural-PRODER. A candidatura foi aprovada considerando um investimento elegível total no valor de 61.759,54 €, com comparticipação pública de 75%. O Município de Nisa atribui ao Centro Social de Salavessa um subsídio 20 mil euros que traduz o apoio financeiro da autarquia para a realização das obras, o apoio do município passou igualmente pela elaboração do projeto e pelo acompanhamento pelo acompanhamento técnico da obra. Da parte da Junta de Freguesia de Montalvão houve também um apoio financeiro da ordem dos dois mil euros.
 A Sede do Centro de Apoio Social de Salavessa situa-se na Rua do Sobreirinho. As obras de remodelação tornaram o imóvel acessível a qualquer utente, o que implicou a criação de novas instalações sanitárias e a instalação uma plataforma elevatória que permite o acesso ao piso 1. O edifício foi dotado de condições de segurança contra o risco de incêndio. Como princípio da intervenção, o projeto não contemplou o aumento da volumetria, mantendo a integração do prédio na banda edificada do arruamento. Ao nível do piso térreo foram criadas duas instalações sanitárias (masculino e feminino) acessíveis a pessoas de mobilidade condicionada, uma copa, para preparação dos lanches e uma zona de estar.Com a instalação da plataforma elevatória tornou-se possível o acesso de todos os utentes ao piso superior o que permitiu inclusive aumentar a capacidade do Centro de Apoio Social para os 18 utentes (9 ao nível do piso 0 e 9 no piso 1). A remodelação permitiu a existência de uma zona para apoio administrativo.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

MEMÓRIA: O Natal na vila de Montalvão


Logo em Setembro e Outubro já a maioria das crianças andava alvoroçada com a perspectiva das festas do Natal que não demorariam a chegar. Eram os primeiros a lembrar-se dessa quadra festiva. Por isso, era motivo de “superioridade” dizer aos outros que já tinha duas ou três fachas (pequenos molhos de troncos herbáceos secos de cerca de 1 metro de altura, de uma planta a que chamavam “gamão” e que serviriam de tochas na noite do Menino Jesus).
O tempo decorria, as colecções de fachas iam aumentando, aumentando também a vaidade de ter um maior número daqueles molhos; as prendas do Menino Jesus não interessavam por agora. O entusiasmo aumentava sempre até à chegada da Noite Santa.
Na véspera do Dia festivo, e na generalidade, as famílias atarefavam-se nos preparativos da Consoada: as senhoras, em casa, preparavam os ingredientes para os fritos que, à noite, depois da ceia (jantar) iriam acabar, enquanto os homens iam à procura de um tronco para a lareira.
À volta do lume onde já ardia o enorme tronco (que devia continuar aceso até ao Ano Novo) procedia-se ao resto da confecção e fritura das filhós e azevias (por vezes argolas doces) enquanto o pai, a um canto da lareira, lia o jornal e ia provando de tudo um pouco alheando-se da azáfama que existia à sua volta.
Na rua, as crianças davam largas à sua alegria queimando, finalmente, os archotes (fachas) que, com tanto carinho e alvoroço juntaram para iluminarem o Deus Menino. Ao mesmo tempo grupos de rapazes da mesma idade (quintos) passeavam pelas ruas e entravam em casa de alguns deles para comerem os fritos que, normalmente, todas as famílias faziam, excepto as pessoas enlutadas que, por esse motivo, eram presenteadas no dia de Natal por pessoas das suas relações.
Queimados os archotes (fachas) as crianças iam para casa e sentavam-se também à lareira. A certa altura caiam no chão da cozinha rebuçados e vários frutos secos “lançados pelo Deus Menino” que por ali passava. O rebuliço das crianças era grande tentando, cada uma, apanhar o maior número possível daquelas guloseimas. Os mais crescidos segredavam então aos mais novos que não fora o Menino Jesus mas sim o pai que atirava aquelas coisas ao ar.
Ao aproximar-se a meia-noite todos se dirigiam à Igreja para ver o presépio, assistir à Missa do Galo e beijar o Menino. Regressados a casa havia café para todos, filhós e azevias ou ainda carne de porco frita. Na hora de deitar, os pequenos não se esqueciam de pôr o sapatinho perto da chaminé na esperança de que o Menino ali deixasse algum presente. No dia de Natal, manhã cedo, os meninos corriam para a lareira para ver se, no sapatinho, sempre havia alguma lembrança deixada pelo Menino. Depois, chegada a hora, todos se dirigiam para a Igreja e assistiam à Santa Missa.
Na última noite do ano grupos de raparigas lançavam borrifos de água nas portas das casas e, atirando farinha para cima diziam: “Bons Anos vos dê Deus!”. Do interior das casas alguém respondia: “Obrigado!”.
Dia de Ano Novo, à saída da Santa Missa, mulheres com açafates cheios de filhós ofereciam-nas a quem quisesse cumprindo, assim, alguma sacra promessa.
Estas descrições reportam-se aos anos 30/40 do séc. XX vividas nestes termos pelo narrador.
Évora, Dezembro de 2010
Anselmo de Matos Lopes in "Brados do Alentejo"

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

MONTALVÃO: Festa da Senhora dos Remédios (2009)





Montalvão voltou a reviver os dias de festa e a juntar muitos dos seus filhos espalhados pelo país. As festas populares iniciaram-se no dia 4, sexta-feira, não faltando a música, os espectáculos taurinos, como é da tradição em terras raianas e tiveram o seu ponto mais alto e solene na terça-feira, dia 8, consagrado à romaria da Senhora dos Remédios.
Sob um sol abrasador foram muitas as pessoas que ocorreram à capelinha situada a 3 quilómetros de Montalvão. Juntaram-se debaixo das escassas sombras proporcionadas pelos eucaliptos, conversaram, petiscaram e beberam, animando o vasto recinto em redor da capela.
Muitos vieram do concelho de Cascais e de outros concelhos da grande Lisboa, onde estão radicados há muitos anos. Fazem da romaria um ponto de encontro com a terra-mãe, a visita aos familiares e um momento de recolhimento para agradecerem à Senhora, os “remédios” recebidos.
É assim todos os anos, faça chuva ou faça sol.
Cá fora, um imponente veado oferecido à Comissão Paroquial era revolvido no assador, enquanto numa barraquinha próxima duas mulheres, mãe e filha, vendiam recordações da festa. Portas chaves, camisolas, livros, gravuras e bolos oferecidos pelas montalvanenses, as deliciosas cavacas e não menos saborosas broas de mel, feitas exclusivamente para serem ofertadas à Comissão Paroquial com o fito da obtenção de fundos.
A romaria e a manutenção da capela têm os seus custos e são estas dádivas, estes “produtos” que ajudam a manter a tradição.
Espalhados pelo recinto e aguardando a chamada, viam-se crianças e jovens da banda União Artística de Castelo de Vide que vieram propositadamente para animar a festa e acompanhar a procissão.
O senhor padre José da Costa presidiu às celebrações religiosas. A missa, na qual participaram muitas dezenas de fiéis, teve lugar no exterior da capela, sob uma estrutura colocada para minimizar os efeitos dos raios solares.
Após a celebração da missa, realizou-se a procissão em redor da capela. Um momento de especial significado para homens, mulheres, jovens e crianças que se deslocaram até à Senhora dos Remédios. Ao ritmo compassado da banda de Castelo de Vide, os romeiros acompanharam, em silêncio e devoção, o andor com a imagem religiosa venerada em Montalvão.
Depois, foi o anúncio da despedida, a promessa de voltarem no próximo ano.
Mário Mendes in "O Distrito de Portalegre" - 12.9.2009

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Concerto de Natal encerrou comemorações dos 500 anos do Foral







A Igreja Matriz de Montalvão recebeu no passado sábado, o concerto "Clássicos de Natal" pela Orquestra Típica Albicastrense dirigida pelo maestro Carlos Salvado. A iniciativa encerrou o programa das Comemorações dos 500 Anos do Foral Manuelino de Montalvão.
Com a igreja repleta de gente, a Orquestra Típica Albicastrense, pouco habituada a este cenário, deliciou os presentes com um magnífico concerto, preenchido com temas populares do Natal da Beira Baixa e de Elvas, sendo a sua actuação premiada, no final, com calorosos aplausos por parte da numerosa assistência.
À saída foi servido um “Porto de Honra” oferecido pela Comissão Organizadora das Comemorações dos 500 Anos do Foral, formada pelas associações Vamos à Vila (Montalvão),  SalavessaViva (Salavessa) que contaram com o apoio da Junta de Freguesia de Montalvão, Câmara Municipal de Nisa e Associação de Desenvolvimento de Nisa.
As comemorações dos 500 anos do Foral de Montalvão encerraram no domingo, dia 9,, com uma missa na  Salavessa, presidida pelo bispo da Diocese de Portalegre e Castelo Branco, D. Antonino Dias.
in "Alto Alentejo" - 12/12/2012 -Fotos de Jorge Nunes

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

SALAVESSA: No extremo norte do Alentejo







"Será pequenina e feia", escreveu o Ti Zé do Santo numa das suas poesias populares, referindo-se à sua aldeia natal: Salavessa.
Pequenina, sim, mas feia, nunca. A aldeia, de ruas castiças como a da Bélgica, Jogo da Bola, Sobreirinho, do Santo, Oliveirinha e outras, é um dos lugares mais airosos e bonitos do extremo norte do Alentejo. Como bem o mostram estas extraordinárias fotos de Catarina Henriques e que fomos "descobrir" em www.olhares.com
Fotos de tamanha beleza e que servem aqui para lembrar dois amigos que partiram: António Louro Carrilho e o Ti Zé do Santo.
Salavessa
Salavessa é minha aldeia
Na margem esquerda do Tejo
Será pequenina e feia
Mas a cidade não invejo

Se eu fosse rico, abastado
Esqueceria a minha aldeia
Sou pobre e mal roupado
A cidade para mim é feia

Salavessa está esquecida!...
Aqui não há regalias,
Não tem rossio nem avenidas
E mal se ouvem telefonias

Salavessa pequenina
És um berço de embalar!
Nasceste numa colina,
De rouxinóis a cantar.

Quero-lhe bem, mesmo feia,
É o meu berço natal.
Viva a minha querida aldeia
E viva o nosso Portugal!

José António Vitorino - “ Ti Zé do Santo”

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

MONTALVÃO: Inauguração da Casa do Forno


É hoje, dia 9 de Setembro, inaugurada em Montalvão, a Casa do Forno, na sequência de uma intervenção de recuperação promovida pela Câmara Municipal de Nisa nas instalações de um antigo forno comunitário.
Em 1997, surgiu a possibilidade de aquisição do imóvel onde durante décadas funcionou o Forno Comunitário de Montalvão. A aquisição concretizou-se em 1999 por deliberação da Câmara Municipal. Foi considerado que o imóvel era um exemplo de arquitectura popular que deveria ser reabilitado e devolvido à comunidade local.
As instalações têm potencialidades que deverão ser reaproveitados em termos museológicos utilizando peças de artesanato local produzido pelas gentes de Montalvão, onde se destacam as peças feitas em madeira, cortiça, ferro e vários bordados. Na implementação do projecto conta-se com o envolvimento da população. O espaço será igualmente destinado a pequenas exposições temporárias.
Para além deste aspecto, considera-se que a Casa do Forno deve manter a sua função prática: cozer o pão, os bolos os borregos, etc, em alturas festivas, recuperando-se assim a imagem e a memória do espaço.
A Junta de Freguesia de Montalvão desde a primeira hora mostrou-se disponível em cooperar, e deverá continuar a promover o imóvel junto da população e dos possíveis turistas.
Em termos da obra, a intervenção foi da inteira responsabilidade dos “mestres-de-obras” da Câmara Municipal. Houve recurso aos conhecimentos adquiridos nas reabilitações de imóveis. Procurou-se uma Intervenção cuidada e tecnicamente correcta, com bom senso e equilíbrio nas escolhas. A investigação das fontes documentais e orais sobre a envolvência do sítio procurou preservar o seu valor patrimonial.
Com pequenos gestos se defendem grandes causas. A intervenção levada a cabo no Forno Comunitário de Montalvão é exemplo disso mesmo.
Blog do "Jornal de Nisa" - 9/9/07

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Montalvão no Cortejo de Oferendas (1960)


Em 1960, quando foi preciso mobilizar o concelho e proceder à recolha de fundos para fazer face às despesas do novo Hospital, Montalvão, tal como as restantes freguesias do concelho, disse: Presente!
O povo, as instituições, as pequenas empresas, os proprietários agrícolas, num gesto solidário de grande valor e significado, organizaram-se, vestiram o trajes dos "grandes dias" e vieram até Nisa desfilar, participar nessa grande jornada colectiva em favor de um objectivo de todos: o funcionamento do nosso Hospital, na altura uma das unidades modelares na prestação de cuidados de saúde. Veio o Rancho da Casa do Povo de Montalvão que desfilou, acntou e dançou, com garbo e graciosidade; vieram as carroças engalanadas, o povo, e lá estava a placa a indicar a contribuição da freguesia: 87 mil escudos, uma pequena fortuna para a época. Isto, sem contar, com animais e géneros alimentares de diversa origem.
No próximo sábado, dia 21, no Cortejo Etnográfico, Montalvão vai voltar a marcar presença. Não tem, já, o Rancho Folclórico da Casa do Povo, muitos dos seus filhos partiram para uma viagem sem regresso e outros demandaram as Lisboas e as Franças de todas as esperanças.
A terra e a freguesia despovoaram-se, mas, os que ficaram, mantém, ainda, a mesma força colectiva e a vontade de dizer: estamos aqui!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Poetas da freguesia (3)


A SIDA
Vive-se muito preocupado

Com a doença da SIDA
Por esta já ter tirado
A muitas centenas, a vida


Há razão para temer
Doença tão perigosa
Apesar de não cancerosa
Seres humanos faz sofrer
E muitos já fez morrer
Aquele mal tão malvado
Que traz o doente desanimado
E a viver com amargura
Mas como aquilo não tem cura
Vive-se muito preocupado


Não podemos desanimar
Nem perder a esperança
Se a malvada doença
Um dia se vai curar
Portanto, vamos esperar
Fazendo a nossa vida
Não pensando na despedida
Para não desanimar
E muito menos preocupar
Com a doença da SIDA



Vamos encarar com paciência
Aquela doença malina
Confiar na medicina
E na sua competência
Porque a sua experiência
Doentes tem conformado
E muitos a tem curado
Ao longo da nossa vida
Não queira pensar na Sida
Só por que a vida tem tirado.



Dizem que a sua evolução
Foi o acto sexual
Portanto se receia o mal
Àquele preste atenção
E não aproveite a ocasião
Da mulher desconhecida
Procure evitar a Sida
E tenha muito cuidado
Porque ela já tem tirado
A muitas centenas, a vida.
J. Tremoceiro - Poeta Popular